Eu perdi completamente a esperança nesta espécie de criaturas vis que é o Homo sapiens. Nem sempre foi assim, sério, eu já acreditei na possibilidade da natureza ter feito a escolha certa quando extinguiu os Homo neanderthalis ao invés de nós. Talvez ela tenha feito a coisa certa, o que me deixa aliviado, o planeta ficou livre de uma espécie potencialmente mais perigosa que a nossa.
Ontem eu tive a chance de presenciar um discurso inflamado sobre as belezas bélicas. Sobre como é lindo ver um F-22 afundando um navio de guerra em 5 minutos. Sobre como é foda meter uma bala no meio do crânio de um ladrão de gaiolas. Eu pude ver nos olhos do interlocutor o brilho de quem ama as palavras que profere, no caso, palavras de morte, de guerra. Os outros na mesa não eram diferentes. Defendiam a pena de morte como solução para os problemas da humanidade, defendiam a esterilização das pessoas que moram em favelas. “Nascem ladrões” diziam uns, os mesmos que completavam “devem morrer no berço”.
Logo em seguida minha irmã me contou sobre uma menina da sala dela. Esta em coma, internada a algumas semanas com traumatismo cranio. Apanhou de outras cinco meninas que, quando questionadas do motivo da violência responderam, “ela estava olhando feio pra gente”. Um olhar desavisado vale uma vida humana…
Perdi as esperanças no Homo sapiens. Que venha o aquecimento global, que as guerras enfestem esse planeta feito praga, que a gripe aviária seja mais eficiente que a peste negra. Não há esperanças para os humanos e enquanto um único exemplar desta espécie caminhar, não haverá esperanças para o planeta.
Depois de defender a esterilização dos menos favorecidos alguém ainda me dirigiu a palavra:
- Você acredita em Deus?
- Deus? – respondi – Deus esta morto amigo.
- Você é ateu?
- Não, sou um otimista…