Posts de Maio, 2007

Amém senhor!!!

Maio 30, 2007

Então, inauguraram um museu criacionista nos EUA. Li a notícia ao mesmo tempo em que encontrei este blog.

Mamãe mandou eu ser um menino bom e respeitar a crença alheia, mas eu não posso evitar de pensar o quão desesperados estão esses cristãos fundamentalistas. O desespero fica claro quando vc lê que o tal museu criacionista exibe réplicas de dinossauros vivendo no Jardim do Éden!!! Como assim Bial? Dinossauros e humanos vivendo juntos?

Eu não pude conter a crise de riso quando li no site do museu que a missão deles é demonstrar que a bíblia é o livro de histórias do Universo. Ok, então tá, vamos ignorar as toneladas e toneladas de evidências cientificas sobre a cronologia da Terra e do Universo, foram todas inventadas por esse bando de gente pecadora conhecida como “cientistas”…

E “aí” daquele que achar o contrário, vai tomar umas palmadinhas divinas na bunda…

PS: No próximo episódio, 7 esquisitices sobre Mr T.

As belezas de uma explosão nuclear.

Maio 25, 2007

Eu perdi completamente a esperança nesta espécie de criaturas vis que é o Homo sapiens. Nem sempre foi assim, sério, eu já acreditei na possibilidade da natureza ter feito a escolha certa quando extinguiu os Homo neanderthalis ao invés de nós. Talvez ela tenha feito a coisa certa, o que me deixa aliviado, o planeta ficou livre de uma espécie potencialmente mais perigosa que a nossa.

Ontem eu tive a chance de presenciar um discurso inflamado sobre as belezas bélicas. Sobre como é lindo ver um F-22 afundando um navio de guerra em 5 minutos. Sobre como é foda meter uma bala no meio do crânio de um ladrão de gaiolas. Eu pude ver nos olhos do interlocutor o brilho de quem ama as palavras que profere, no caso, palavras de morte, de guerra. Os outros na mesa não eram diferentes. Defendiam a pena de morte como solução para os problemas da humanidade, defendiam a esterilização das pessoas que moram em favelas. “Nascem ladrões” diziam uns, os mesmos que completavam “devem morrer no berço”.

Logo em seguida minha irmã me contou sobre uma menina da sala dela. Esta em coma, internada a algumas semanas com traumatismo cranio. Apanhou de outras cinco meninas que, quando questionadas do motivo da violência responderam, “ela estava olhando feio pra gente”. Um olhar desavisado vale uma vida humana…

Perdi as esperanças no Homo sapiens. Que venha o aquecimento global, que as guerras enfestem esse planeta feito praga, que a gripe aviária seja mais eficiente que a peste negra. Não há esperanças para os humanos e enquanto um único exemplar desta espécie caminhar, não haverá esperanças para o planeta.

Depois de defender a esterilização dos menos favorecidos alguém ainda me dirigiu a palavra:

- Você acredita em Deus?

- Deus? – respondi – Deus esta morto amigo.

- Você é ateu?

- Não, sou um otimista…

Eimm?!?!

Maio 14, 2007

Não, eu não morri… Nem estou doente…

Sim, eu me recuso a postar qualquer coisa sobre o Papa, a não ser o fato de que eu tenho medo dele. Alguém já reparou no sorriso sádico que ele emite ao chegar perto de qualquer criança? Posso jurar que vi um olho tremendo também, mas sei lá.

Também me nego a comentar o reajuste salarial de 26% dos Senhores Parlamentares… Eles merecem…

E o Clodovil fez pouco, se fosse eu, teria colocado meu membro pra fora e ejaculado sobre a bandeira nacional… Ainda sim estaria sendo moralista perto do resto das pessoas que frequentam aquele recinto.

Quando a faculdade liberar os meus parcos neurônios, volto pra fazer um post mais elaborado.

Boa semana a todos :)

Vá em paz.

Maio 6, 2007

A alguns meses atrás, aguardando um vôo atrasado da ponte aérea em Congonhas, eu o vi.

Não da pra descrever bem a sensação. A princípio eu demorei pra aceitar que realmente era ele – “não pode ser, muito baixo” – pensei eu. Mas era.

Era apenas a sombra do ícone que ele próprio estabelecera, mas tinha lá um charme. Não esse charme sexual, não, era algo diferente, algo que o separava dos mortais ao seu redor.

Nunca vou me esquecer do dia em que por vergonha ou por não me achar digno, não fui de encontro a Enéas Carneiro. Por uma dessas decisões estúpidas que tomamos eu perdi a chance de apertar a mão de um dos maiores ícones da política deste país.

Aceitar que Enéas morreu é algo de surreal. Jamais pensei que veria esse dia, como se Enéias estivesse além da vida e da morte e fosse estar sempre presente. Algo como um obelisco.

Mas há uma poesia estranha em sua passagem definitiva para o hall dos que jamais serão esquecidos. Enéas morre apenas alguns meses depois do falecimento do partido que tanto defendeu. O país fica órfão, de uma tacada só, da figura carismática de Enéas Ferreira Carneiro e seu bordão inesquecível.

“MEU NOME É ENÉAS”.

Descanse em paz.

Green Eyes

Maio 2, 2007

Jamais esquecerei o som da minha morte.

Começou com o barulho sistemático da música eletrônica que tocava na boate. Do bar eu podia ver o movimento, podia ver a pista de dança. E foi com meus pensamentos perdidos entre um flash e outro da luz estroboscópica que eu os vi pela primeira vez.

Jamais esquecerei do verde daqueles olhos.

Seu corpo esguio se contorcia em movimentos delicados. Era como uma serpente se movimentando lentamente, mas com precisão aterradora, como uma serpente pronta para dar o bote. Como um encantador de serpentes pego em seu próprio feitiço, fui até ela. A dose de vodka que eu trazia na mão esquerda facilitou as coisas e horas depois ela ainda se contorcia. Não mais na pista de dança, mas na minha cama.

Jamais esquecerei aqueles lábios.

O suor lhe saía pelos poros e corria por seus seios. Não eram grandes, mas eram firmes, redondos e acompanhavam o movimento de seu corpo quando ela se inclinava de tesão. O som de seu gemido era música. Música que me enchia de virilidade descontrolada e me fazia puxar seu cabelo com força e implorar por mais. E ela me atendia, subia e descia com vigor, me tragava para dentro de si, me apertava com as coxas e sorria como que dizendo que nunca mais me libertaria. E quem seria louco de querer a liberdade de tal prisão? Somente os loucos negariam sua boca de toque macio, sua pele alva e seus olhos verdes. Eu nunca cultivei a sanidade.

Jamais esquecerei o som da minha morte.

Terminou com o estampido de uma arma disparando. O projétil perfurou meu pulmão. O sangue negro me subiu à boca. Cai em um baque surdo. Não posso culpá-la , sempre fui um crápula. Mulher sempre foi meu fraco. Troquei seus lindos olhos verdes por um par de olhos azuis rasos. Troquei sua música por uma cacofonia loira sem conteúdo.Troquei-a por sua melhor amiga. A coitada morreu primeiro, pintou a parede do quarto de vermelho.

Jamais esquecerei o som de sua voz.

Foi ali, caído no chão, me afogando em meu próprio sangue que eu os vi pela última vez. Os olhos verdes estavam ainda mais brilhantes, ainda mais sedutores. Se eu estivesse sentindo meus membros inferiores certamente teria tido uma ereção. Mas eu não sentia nada, só frio. Antes de apagar rumo ao nada eu ainda pude ver o sorriso preenchendo seu rosto. Ela sorria, não, ela gargalhava enquanto meu sangue ensopava sua calça. Ajoelhada ao meu lado ela se curvou em direção ao meu ouvido. Senti sua respiração e ouvi suas últimas palavras para mim.

“Vai se foder babaca do cacete”.